domingo, julho 26, 2009

discutindo a relação

(acima, Helio e Jorge em ação, no Canadá. Música é tudo de bom! e os dois são craques no seu ofício.)

Pois então, como eu dizia no post anterior: a vida da gente tem menos glamour do que as pessoas imaginam. É uma vida suada, como a de qualquer profissional na ativa. E tem o agravante das viagens, que, verdade seja dita, são legais, divertidas, levam a gente e a música para lugares nunca dantes navegados _ quando na vida eu imaginaria conhecer, por exemplo, Trömso, na Noruega, ou Calgary, no Canadá, cidade onde foi feita a foto acima? Como turista, provavelmente nunca. Então, parece legal, e é. Mas também é dureza pegar um avião para fora do país a cada dois meses e encarar uma turnê onde se muda de cidade a cada dia: chega, passa o som, vai pro hotel, vai pro teatro, toca, vai pro hotel, acorda, viaja, chega, passa o som, etc, etc... Já falei isso várias vezes, eu sei, e desculpem se estou me repetindo, mas tem gente que não presta atenção e fica achando que tudo são sempre, e somente, os momentos de glória. 

Estou falando tudo isso porque outro dia recebi uma reclamação virtual de uma pessoa que se sentia "excluída" por eu não responder diretamente às mensagens que chegam no website e aqui no blog. Mas é o seguinte: com todo carinho que eu possa ter para com as pessoas que consomem a minha arte, agradeço mais ainda se elas se lembrarem de que eu tenho uma vida pra viver, e isso inclui uma família (que não é pequena nem simples); os parceiros e amigos do dia-a-dia; um trabalho que não se limita ao momento em que estamos no palco, mas envolve ensaios, produção, preparação para as longas viagens e problemas burocráticos diversos. Tenho duas editoras que cuidam da minha obra, dentro e fora do Brasil, com as quais tenho de estar direto em contato, ligada em questões de administração, contratos, autorizações, coisas que terão sempre de passar pelo meu crivo. Sem falar na tremenda dor de cabeça que é a contabilidade. Aliás e a propósito, tenho também (muitas) contas que batem, infalivelmente, todo mês, como todo o mundo tem. 

Tenho de praticar meu instrumento, para que na hora H as mãos andem com a agilidade necessária. Tenho de continuar compondo e escrevendo, com encomendas às vezes em tempo recorde, como quando algum parceiro me pede uma letra para um CD que ele já está começando a gravar (aconteceu há pouco com o Francis, e felizmente deu tudo certo). Tenho de cuidar da minha saúde e agulhar meu companheiro para que ele cuide da dele também. Temos ainda que arrumar um tempinho que seja só nosso, pra ler, namorar, cozinhar, ver um filme, ouvir música, conversar entre nós dois. Temos responsabilidades com a crença religiosa que escolhemos, que não são da conta de ninguém, mas que, já que escolhemos, levamos até o fim. 

A vida dá trabalho além do simples trabalho.

Portanto, a que horas eu poderia responder a cada uma das centenas de mensagens que recebo? Tem artistas que respondem, claro. São aqueles que têm secretários e assistentes que fazem isso por eles. Alguns blogs de artistas sequer são feitos pelos donos, e sim editados por algum assessor de imprensa contratado. Eu não faço isso, por dois motivos fundamentais: a) não acho honesto ter alguém assinando textos em meu nome, e b) mesmo que eu achasse correto, não poderia pagar por estes serviços. Sou uma artista classe média _ como meu público, de um modo geral, também é. 

Portanto, caros amigos virtuais, continuaremos assim do jeito que está. Acredito que a maioria de vocês não se incomode com isso. Espero não precisar discutir a relação com muita frequencia. E passemos aos assuntos realmente importantes!

PS- Mas por um lado, concordo com você, Marcel: se internet houvesse nos anos 60, quem sabe eu teria sido uma adolescente menos nerd e tivesse encontrado a minha turma mais cedo. Por outro lado, os efeitos dessa adolescencia nerd fizeram da minha música, em grande parte, o que ela é hoje. Então...

11 Comments:

At 2:41 PM, Blogger Marcel said...

Olá Joyce!

A cada dia gosto mais de ler o que escreve e sabe o porquê?

Bem, me leva a pensar e imaginar e passar a ter mais confiança no ser humano. Suas postagens são interessantes, porque você vai direto ao ponto. As vezes muitas pessoas acham que os artistas são metidos, arrogantes e etc. Para tentar justificar dizem que "não dão atenção aos seus admiradores", ainda mais quando existe o fanatismo pelo artista querido, mas as mesmas se esquecem que os artistas também possuem suas vidas fora desse mundo. Artista tem que ir ao médico, pagar contas, trabalhar, ter dias bons e ruins, acordar de mau humor como qualquer outra pessoa, aliás somos todos de carne e sangue, se você não se precoupa com você, quem se preocupa?

Quanto ao ponto da internet "PS" esse é outro fardo que eu tenho que carregar, o tal do nerd (rs), gostar das 17 matérias que eu tenho e se dedicar de corpo e alma a duas escolas não é fácil, mas a recompensa virá depois. Adorei ter lido o que você disse no final, já que você disse que senão tivesse sido uma adolescente "nerd", sua música não seria o que é hoje, e o que me agradou no comentário foi que consegui captar que você provavelmente alcançou muitos objetivos se dedicando ao que procurava atingir, me coloquei em seu lugar e pensei que estou seguindo um caminho nessa linha, o que me orgulha muito e dá vontade de continuar seguindo. Quanto a internet, hoje é só mais um recurso que o homem tem para se interligar com o mundo e que claro as vezes trás um lazer e até mesmo a tal da "cultura" que no mundo contemporâneo vem sendo cada vez menos apreciada.
Enfim, queria mesmo dizer que agora tenho cada vez mais orgulho em admirar o trabalho de pessoas que "ralaram" muito para conseguir o que queriam e você é um exemplo que com certeza levarei para a vida toda.

Até mais!

Marcel.

 
At 2:44 AM, Blogger pituco said...

joyce,
tenho certeza, que por tua índole, embora não respondas,
lês cada um dos comentários aqui postados.

por isso somos fâs...por tua música...mas,por tua conduta também.

aproveito, pra corrigir um comentário meu,postagem abaixo...disse que joão donato estaria nesse último sábado,concedendo uma entrevista, aqui em tokyo.
errata:desculpe,nesse último sábado,alguém da produção confirmaria se poderíamos ou não entrevistá-los.

daí então, te incluo...afinal, é teu concerto no blue note tokyo,em setembro p´roximo,junto com o donato como special guest,certo?...lançamento do cd 'aquarius'.

abraçsons

 
At 5:52 PM, Blogger JoFlavio said...

Joyce.

Comprei sempre os seus discos – não muda não, deixa assim que tá bom, deixa ficar..... Tempos atrás, 3 anos talvez, vc fez um show no Rio (Gafiera Moderna?), não me lembro o lugar. Minha amiga Wanda (Sá) e o irmão Sàzinho me convidaram para assistir e eu fui. Aliás, só tinha encontrado vc pessoalmente em Cascavel, séculos atrás, como atração de um Festival de Música (Fercapo). Eu fazia parte do júri, ao lado de César Mariano e Zuza Homem de Mello. O Burnier (Octávio) estava lá também. Voltando ao Gafieira, quando o show terminou, Wanda me levou ao camarim. Ela queria falar com vc – o som, prá variar, ótimo. Foi quando me reapresentei (?) a você. Comprei o CD, que vc me autografou e está guardado em tonel de carvalho. Portanto, eu existo e apareço com freqüência no blog mais com a finalidade de ler tudo o que vc escreve e que se refere à música, minha paixão eterna. Ainda mais porque temos gostos musicais muito semelhantes. Continue sim do jeito que faz. Outra coisa. Quem mandou ter tantos fãs assim? Aliás, acho o Tutty um músico completo, não um baterista apenas. O CD Forças D’Alma é prova disso – foi através dele que conheci o André Mehmari, outro músico de “mãos cheias”.

 
At 8:23 PM, Blogger Bernardo Barroso Neto said...

Oi Joyce!
Eu gosto de todos os assuntos que você coloca, foi bem interessante essa resposta que você deu. Todos os artistas também têm sua vida normal, muitas vezes o público acha que tal artista é um mito, um personagem, não entendem que ele também tem uma família, uma religião, problemas e por aí vai.
Voltando ao assunto internet, se não fosse por ela talvez eu nem te conhecia. rs
Por causa dela me aprofundei mais ainda na música criativa brasileira. E você sem sombra de dúvidas faz parte desse primeiro time.

 
At 3:00 PM, Blogger Luiz Antonio said...

Bah! Vou ter que escrever alguma coisa sobre isso, mas como disseste tão bem: a vida dá trabalho! Tô sem tempo de sequer ler com calma, fiz uma leitura dinâmica. Mas, vou achar um tempo de "comentar" o que colocaste na roda. E acho que pelo nosso tempo de convívio você conta com isso..ou entenderá que tô sem tempo agora heheheh! Bjão. PS: arma uma parada "boa" em agosto que eu quero te ver cantando ao vivo aí no Rio!!!!

 
At 3:50 PM, Blogger Kristi_Sundberg said...

Joyce,

Você magoou meus sentimentos profundamente...quer dizer que o mundo não gira em torno de mim, sua fã mais grande?! Que você tem uma vida real?! Que você não 'espera na janela' virtual a toda hora pra minhas mensagems?! Como se atreve! Eu estava prestes a te convida para minha ceremonia do casamento acontecimento essa tarde, pra estar uma dama de honre; sim, sei que eu moro em E.U., mas você pode usar seu avião a jato, ne'? Agora tenho que cancelar o casamento! Tudo sua falta! Bem...talvez, pra ganhar meu perdão, voce poderia telefonar a Maria Bethania pra ver se ela pode tomar o lugar de você?!

rsrsrs....

 
At 2:07 AM, Blogger Luiz Antonio said...

Não gosto de ser FÃ, ja falei isso. Além de me remeter a imagens de histerismo, desmaios, calcinhas arremessadas no palco e gritinhos (muitas vezes ao som do primeiro playback da noite), acho a palavra feia e de sonoridade ruim.
Tua arte é, ja falei isso aqui também, alimento da Alma, é Força d'Alma.
A Alma "vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber" e isso significa que mexes profundamente com as emoções (boas ou más - MUITO MAIS BOAS DO QUE MÁS -)das pessoas, e isso é o grande sentido da arte. Então, cara Joyce, te conformas em ter SIM, multidões de ALMAS tocadas profundamente pelo teu belo trabalho. Despertas AMOR , PAZ , PRAZER. Sua música permite mergulhos para o interior de cada um que as ouve. Mergulhos que revelam por vezes alegrias, outras, tristezas, autoconhecimento, filosofias, entendimentos, percepções que estão registradas em cada ALMA que te escuta. RESULTADO: te adoram! sabes mais de nossa alma, as vezes, muito mais do que nós mesmos! Como não te querer como amiga? Como não esperar um comentário? Uma visita nos nossos blogs pra uma postagemzinha, um PS-no fim do teu post da vez?
Sinto muito, querida, te entendo, imagino que devar ser duro, mas foi o que você escolheu fazer! E, se cada artista tem o "fã-clube" (bleargh! risos) que merece, você pode dizer que tem o fã clube mais consciente, mas "pensante" e mais dedicado do mundo! Aqueles que estão aqui por que admiram de verdade o seu trabalho, e que estão espalhados pelos quatro cantos do planeta. Exagerado? Posso até ser, mas a minha localização explica , pois há que se levar em conta a carcterística regional de cada "Fã" (BÁH!). Sul do Brasil (por onde não andas nem quando teus vôos partem pro outro lado do mundo) te gostando desde Clareana (e lá se vão quase trinta anos) te vendo a distância pelos poucos programas na TV Cultura, catando teus LPS e CDS pouquissimos comercializados nas lojas (até a chegada dessa bendita internet) e tendo eu, naquela epoca, meus 18 anos de idade, toda turma curtindo rock progressivo e música enlatada americana, meu pai querendo que eu fosse ser eletrotécnico e eu curtindo JOYCE, FATIMA GUEDES, BOCA LIVRE e fazendo vestibular escondido para arquitetura (do Jobim) um LEGITIMO PEIXE FORA DÁGUA (é isso que é ser NERD?). A partir desse cenário (lindo, afinal é a minha vida!) eu acho a JoYce vendendo na internet e com um blog por onde eu posso "falar" com ela!!!!!! `Tô aqui de quatro (ou melhor dizendo de DEZ -DEDOS) há três anos nesse blog, falando, falando, falando...É IMPOSSIVEL NAO TE CHAMAR DE AMIGA (EMBORA SEI QUE essa amizade seja virtual oriunda de um carinho REAL). És uma estrela, mesmo que prefiras a opacidade elegante e discreta, tens teu brilho e te amamos por isso. Dessa forma, segura a onda "nega" , pintam uns e outros mais afoitos,passionais e carentes, mas, acredito, E ESPERO, estão longe de te quererem MAL, apenas te querem MAIS!!! hehehe!
Bom, duas da madruga, frio demais aqui no Pampa..mas dei meu recado... e espero que tenhas entendido! Beijão e parabéns pela nova neta (o) "toda criança que nasce parece a primeira estrela"

ps- LULI E LUCINA SÃO DUAS VIAGENS ÓTIMAS!!! (INSPIRANDO-ME NO CHICO: cheiro Vinicius, fumo Luli e Lucina e "enjoy JOYCE")

ps.s- E o que é um blog se tiver em cada postagem "ZERO"comentarios?? Um livro que se esqueceu de ler....
Luiz Antonio

 
At 3:28 PM, Blogger Joyce Gurgel said...

Querida Joyce,

Acabo de assistir uma entrevista sua no canal Globo News... Amei te ver depois de muito me perguntar por onde andava.
Tu nem sabes o quanto gosto de Ti, o quanto lhe admiro e o quanto faz parte de minha vida!
No próximo dia 6 de agosto, farei 25 anos... E junto com esses anos, tenho carregado meu nome.
Há 25 anos, meu pai escolheu o meu nome, "Joyce"... Foi por gostar muito de Ti e da sua Riquissima Obra que a mim deu este nome, é por cause de Você que o carrego com grande orgulho e carinho!!!
Há muitos anos, tive o prazer de vê-la em um show em Curitiba, cidade onde moro... Mesmo de longe, vi seus lindos olhos e pude ouvi-la cantar com todo amor e charme, com toda Arte e Vocação...
Sempre sonho em poder um dia ver-te e dizer-lhe: "Olá, meu nome é Joyce por causa de Ti. É-me um prazer ve-la! Saiba que cuidadei e honrarei teu nome com todo meu coração e amor"...
Dar-lhe também um forte abraço, para assim selar esse encontro e então, poderei ir-me embora, feliz por vê-la!
Talvez isso nunca se realize e, é o mais provável...
Então, como disse em sua entrevista, a internet é algo muito bom, podemos fazer coisas boas e úteis!!!
Talvez, Tu possas lêr este recado, ou simplesmente, passar batido...
Mas, se lêr e sentir-se feliz por minha História...
Já me valeu carregar este nome!!!
Ainda tenho seus discos de vinil, dos quais escutava muito quando criança e sim, amava quando tocava "Clara e Ana", por que penso que eu é que estava por chegar no ventre de minha mãe...

Enfim, continuarei acompanhando-te de longe!!!

Um forte e caloroso abraço...

Joyce do Amaral Gurgel

 
At 1:55 PM, Blogger Rafaela Gomes Figueiredo said...

Caríssima Joyce,
sou mais uma admiradora de seu maravilhoso trabalho! Tenho 22 anos e posso dizer q me identifico com sua ideia de 'nerd'... rs
Descobri seu blog há pouco tempo - o q me deixou bem feliz, apesar de - e, assim como vc, acredito q o espaço virtual é algo 'à parte' da vida. Certo é: muito de q se ocupam as pessoas hj em dia está relacionado à internet. Mas é preciso ressaltar a questão q vc abordou com bastante clareza: há a vida real! E ela é algo de q não podemos abdicar um só instante - diferente da internet.
Enfim, pra não me alongar deveras, só gostaria q soubesse q entendo e admiro sua posição e sinceridade diante de situações tais.

Um grande abraço!
Que seu brilho e talento guiem-na sempre nesta trajetória linda.

 
At 2:41 PM, Anonymous Cecília Freitas said...

Lendo esse post lembrei-me de algo que sempre observei (e nunca ninguém entendeu bem minhas críticas em relação a isso, julgando-me "insensível" e "fria"). É o seguinte:

Não sei como são as coisas em outras cidades do Brasil, pois só saí de Fortaleza a passeio, nunca morei fora; mas aqui, entre os cearenses, existe uma tendência geral, causadora desse tipo de melindre que esse fã manifestou. Explicando melhor: muitas vezes as pessoas não dão um limite preciso às relações e acabam misturando as coisas. Como somos um povo bastante acolhedor e solícito, há uma tendência a dar e querer receber "calor em excesso"; já sofri com isso pois sou considerada "fria" pelo fato de não abraçar e beijar TODO MUNDO no trabalho, de não deixar que relação profissional vire pessoal, de pouco falar de mim e da minha vida íntima para familiares e amigos, etc... tenho meus "eleitos", como dizem, para quem dou abertura, e reservo aos outros, no máximo, educação e respeito, mas parece que não é o suficiente, pois muita gente sai ofendida por nao ter carinho físico e demonstração de intimidade. Certa vez uma colega de trabalho (professora, como eu) foi muito criticada porque um aluno passou a chamá-la publicamente por um apelido carinhoso que insinuava intimidade e ela não permitiu isso, pois queria ser professora dele, não amiga. O aluno, claro, sentiu-se "diminuído", "excluído", e ele não era criança, era um pré universitário... eu acho que essa "carência" não faz bem a ninguém, e posso estar generalizando demais, mas esse tipo de coisa eu vejo muito por aqui...

 
At 11:33 AM, Blogger joyce said...

Um beijo especial para minha xará de Curitiba! Quanta honra!

 

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